A economia deve ser um dos principais assuntos do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. De um lado está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca um novo mandato. Do outro, está o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato apoiado pelo grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Embora muitas pessoas ainda se refiram à disputa como “Lula ou Bolsonaro”, é importante esclarecer que Jair Bolsonaro não é candidato à Presidência em 2026. O candidato do PL no segundo turno é Flávio Bolsonaro, conforme os registros oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A grande questão para o eleitor é: o que cada candidato pretende fazer com a economia brasileira caso chegue ao Palácio do Planalto em 2027?
As propostas apresentam diferenças importantes em relação ao papel do Estado, gastos públicos, impostos, investimentos, mercado de trabalho e programas sociais.
Lula aposta em investimento, renda e atuação maior do Estado
O plano de governo apresentado por Lula para um eventual novo mandato coloca investimentos públicos e privados, geração de empregos, aumento da renda e políticas sociais entre os principais pontos econômicos.
Entre as propostas está a manutenção da política de valorização real do salário mínimo, além da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial. A proposta também prevê mudanças nas regras para trabalhadores de aplicativos.
Na área social, o programa prevê a continuidade e ampliação de políticas como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida.
O plano também fala em reindustrialização do país, investimentos em infraestrutura e fortalecimento de setores considerados estratégicos para a economia brasileira.
E os impostos?
A questão tributária também aparece entre os principais temas econômicos da eleição.
O programa de Lula defende maior progressividade na tributação, com aumento da participação das pessoas de maior renda no financiamento do Estado.
Ao mesmo tempo, a reforma tributária aprovada nos últimos anos continuará sendo implementada nos próximos governos.
Uma pesquisa do FGV IBRE divulgada em outubro de 2026 mostrou que a tributação aparece como a principal prioridade para 54,2% das empresas consultadas, seguida pelo controle das contas públicas, burocracia e infraestrutura.
Flávio Bolsonaro propõe uma linha diferente
O programa de Flávio Bolsonaro apresenta uma visão diferente sobre o tamanho e a atuação do Estado na economia.
A proposta defende maior controle das despesas públicas e mudanças na política fiscal. O candidato também critica pontos da reforma tributária e defende sua revisão.
Na visão apresentada pela candidatura, uma maior disciplina fiscal e mudanças na estrutura do Estado devem ajudar a criar um ambiente mais favorável para empresas e investimentos.
O programa também dá destaque à participação do setor privado e às concessões como instrumentos para ampliar investimentos em infraestrutura.
Contas públicas serão um dos principais desafios
Independentemente de quem vencer a eleição, a situação fiscal deverá estar entre os principais desafios do próximo governo.
Dados divulgados durante a campanha mostram que a dívida pública brasileira alcançou níveis elevados. Um levantamento publicado pela Folha com base em dados oficiais apontou dívida pública de 82,9% do PIB em agosto de 2026.
Isso significa que o próximo governo precisará tomar decisões sobre despesas, receitas, investimentos e regras fiscais.
Lula defende a continuidade do atual arcabouço fiscal, com ajustes. Já Flávio Bolsonaro aparece entre os candidatos que defendem mudanças ou regras fiscais mais rígidas.
Emprego e salário também estão no centro da disputa
Para o trabalhador, uma das principais diferenças está na forma como cada candidatura pretende lidar com emprego, salário e relações de trabalho.
Lula propõe reduzir a jornada semanal para 40 horas sem redução salarial e manter a política de valorização real do salário mínimo. Também prevê novas regras de proteção para motoristas e entregadores de aplicativos.
A discussão sobre redução da jornada, entretanto, depende de aprovação do Congresso Nacional para ser implementada.
Do outro lado, propostas voltadas para redução do tamanho do Estado, maior participação privada e mudanças nas regras econômicas podem produzir efeitos diferentes sobre empresas e trabalhadores.
E os programas sociais?
Outro ponto de diferença está na participação do governo federal nas políticas sociais.
O programa de Lula prevê a manutenção e o fortalecimento do Bolsa Família, além da expansão de políticas habitacionais e de combate à fome.
A discussão econômica, nesse caso, envolve uma questão importante: quanto o governo deve gastar com programas sociais e de que maneira essas despesas podem ser financiadas sem comprometer o equilíbrio das contas públicas.
Empresas e investimentos
Para as empresas, temas como impostos, burocracia, infraestrutura, segurança jurídica e acesso a crédito estão entre as questões mais importantes.
Uma pesquisa do FGV IBRE realizada com aproximadamente 4 mil empresas apontou que 54,2% colocaram a tributação como principal prioridade para o próximo governo. Controle das contas públicas apareceu em seguida, com 27,1% das respostas.
Isso mostra que a política econômica do próximo governo terá impacto não apenas sobre trabalhadores e consumidores, mas também sobre empresários e investidores.
Energia e petróleo
Outro tema econômico importante é a política energética.
O programa de Lula prevê expansão de fontes renováveis, como energia solar e eólica, mas também mantém petróleo e gás dentro da matriz energética brasileira.
O debate sobre petróleo também envolve arrecadação, investimentos, preços dos combustíveis e receitas para União, estados e municípios.
Então, qual proposta pode mudar mais a economia?
As duas candidaturas apresentam caminhos diferentes.
Lula coloca maior ênfase em investimentos públicos e privados, programas sociais, valorização do salário mínimo, direitos trabalhistas, reindustrialização e participação do Estado na economia.
Flávio Bolsonaro apresenta uma proposta com maior ênfase em controle fiscal, revisão de determinadas políticas tributárias, redução do tamanho do Estado e maior participação do setor privado.
Isso não significa, por si só, que uma proposta produzirá necessariamente um resultado melhor que a outra. O resultado dependerá também da aprovação das medidas pelo Congresso, das condições internacionais, dos juros, da inflação, do câmbio e da capacidade do próximo governo de executar suas políticas.
O que o eleitor deve observar antes de escolher?
Para quem está tentando entender qual proposta econômica está mais alinhada às suas expectativas, alguns pontos merecem atenção:
- Como cada candidato pretende controlar os gastos públicos;
- Como pretende aumentar ou reduzir impostos;
- Qual será a política para o salário mínimo;
- Como pretende gerar empregos;
- Qual será o tratamento dado às empresas;
- Como pretende atrair investimentos;
- Qual será a política para programas sociais;
- Como pretende lidar com a dívida pública;
- Quais setores receberão investimentos;
- Como pretende controlar a inflação;
- Qual será a política para petróleo e combustíveis;
- Quais medidas dependem de aprovação do Congresso.
Os planos oficiais de governo podem ser consultados no próprio portal do Tribunal Superior Eleitoral.
Lula ou Bolsonaro: a economia será decidida pelas propostas e pela execução
A disputa econômica de 2026 apresenta duas visões diferentes sobre o papel do governo na economia brasileira.
Lula apresenta uma agenda com maior participação do Estado, investimentos, políticas sociais e valorização da renda. Flávio Bolsonaro apresenta uma agenda com maior ênfase em disciplina fiscal, revisão tributária e participação do setor privado.
O resultado econômico de um eventual governo, porém, não dependerá apenas das promessas de campanha. A execução das medidas, a aprovação pelo Congresso e o cenário econômico nacional e internacional terão papel fundamental.
Por isso, antes de decidir, o eleitor pode consultar os planos oficiais e comparar quanto cada proposta pretende gastar, como pretende financiar suas medidas e quais mudanças dependerão de aprovação do Congresso Nacional.
A eleição de 2026 coloca justamente essas diferentes visões econômicas no centro do debate sobre o futuro do Brasil.